Extração de sal-gema provocou fissuras no solo do Pinheiro, conclui relatório

“Está ocorrendo desestabilização das cavidades da extração de sal-gema, provocando halocinese (movimentação do sal) e criando uma situação dinâmica com reativação de estruturas geológicas preexistentes, subsidência do terreno e deformações rúpteis em superfície de parte dos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro”, é o que aponta o relatório final da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) apresentado em coletiva à imprensa, na manhã desta quarta-feira (8), durante audiência pública no auditório da Justiça Federal.

De acordo com o documento apresentado pelo assessor de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM, Thales Queiroz Sampaio, os danos nos bairros citados são agravados pelos efeitos erosivos provocados pelo aumento da infiltração da água de chuva, em função do aumento significativo da permeabilidade secundária (quebramentos). O processo erosivo, por sua vez, é acelerado pela existência de áreas de alagamento e a falta de uma rede de drenagem pluvial efetiva e de saneamento básico.

Para chegar a conclusão, os pesquisadores utilizaram diversos métodos científicos que foram interpretados e integrados. Os métodos geofísicos – gravimetria, audiomagnetotelúrico e eletrorresistividade – permitiram a melhor caracterização do subsolo da região estudada. A interferometria, por sua vez, detectou deslocamento da superfície compatível com subsidência por deformação dúctil/rúptil (rochas que se deformam até o limite de ruptura/rochas que se deformam sem romper) das camadas geológicas na região de poços de extração de sal-gema. As observações de campo – trincas, rachaduras e fissuras e áreas alagadas na borda da Lagoa Mundaú-  também apontam deformações compatíveis com a subsidência.

08/05/2019