Pacientes do Portugal Ramalho participam de curso de costura

Oficina realizada no Caps Casa Verde oferece oportunidade de aprendizado na prática

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O simples ato de enfiar a linha numa agulha de máquina, para muitos, é mera normalidade. Para o auxiliar de serviços gerais Pedro dos Santos é uma conquista pessoal.

Ele é uma das pessoas com sofrimento mental atendida pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Casa Verde do Hospital Portugal Ramalho. É lá que a Secretaria de Estado do Trabalho e Emprego está promovendo o curso de corte e costura por meio do Programa Produzir Juntos.

Durante a atividade, Pedro mostra um bom nível de concentração e capacidade de realizar uma atividade laboral. Além da linha, ele aprendeu a colocar a bobina e dominar a máquina de costura.

“Não é tão difícil como parece ser. É uma questão de prática. A professora Francis é muito paciente com a gente. Vou me esforçar para aprender a fazer bolsa e conseguir uma renda extra”, frisou Pedro.

Enquanto Pedro praticava numa máquina, Elisandra Teixeira tentava dá os primeiros passos da costura em outra. Ela que já aprendeu a arte do bordado, estava feliz com esse novo desafio.

“Sempre gostei de aprender coisas novas. Desta vez quero ver se consigo aprender a confeccionar roupas. Já trabalhei como sacoleira e se der para vender as próprias peças que vou fazer vai ser muito bacana”, disse Elisandra.

Se nesse contexto em que se encontram as pessoas com sofrimento mental, o apoio da família é importante, Messias Bento da Silva é um exemplo. Ele é irmão e acompanhante do Cicero Bento da Silva paciente do Caps.

Ao lado de Cicero, ele também bota a mão na massa e aprende o ofício da costura. “Ele não sabe ler, escrever e nem sabe andar só. Acho importante a família participar e dá segurança a ele. Quem sabe a gente aprende a fazer bolsa, roupa e ao final do curso teremos condições de gerar renda”, declarou Messias.

Caps Casa Verde

O Caps Casa Verde atende pacientes com sofrimento mental e desenvolve atividades com perspectiva da geração de renda obedecendo a uma política pública do Ministério da Saúde.

A terapeuta ocupacional, Claudete Lins explicou que cada paciente apresenta uma patologia diferente. Alguns ligados a psicose, outras a depressão. Mas cada pessoa responde a doença de uma forma diferente.

“Existem vários aspectos. O apoio que a sociedade oferece, que a família dá, a história de vida da pessoa, que impacto essa história pode favorecer ou não para a doença. Tudo isso influencia na recuperação e desenvolvimento deles”, lembrou.

A profissional esclareceu ainda que um dos componentes da rede de atenção psicossocial é o trabalho para a reabilitação dessas pessoas. Segundo ela, o paciente vai ao Caps fazer um tratamento para saber lidar com a doença. Ao se recuperar, ele tem que voltar a vida e um dos aspectos principais da vida é o trabalho.

“A importância de um curso como esse é de poder preparar o paciente para, ou retornar para o mercado formal – aquele que tiver essa condição e queira – ou para que ele tenha uma forma de produzir que complemente a renda, que favoreça a autoestima e a realização pessoal esse é o objetivo”, destacou Lins.

Corte Costura

Para a gerente de núcleo de capacitação da Secretaria do Trabalho, Francisdey Farias, o curso de corte e costura terá a duração de três meses e vai tentar oferecer aos pacientes uma perspectiva de produção que seja agradável a eles.

“Entendemos que o Caps é um dos serviços que estimula o paciente ao retorno social, entre outros caminhos, também pelo viés do trabalho. Portanto, estamos iniciando uma ação inovadora tentando oferecer algo que seja útil visando beneficiá-lo no futuro por meio de grupos produtivos ou cooperativas sociais”, destacou.

O Caps Casa Verde é um serviço aberto. O paciente passa o dia e retorna a casa à noite.  Funciona de segunda a sexta de 8h às 17h.

Agência Alagoas