Policial militar alagoano lidera equipe em Missão de Paz da ONU na África

Com duração de um ano, a missão do capitão Diego Canuto está prevista para ser encerrada em setembro de 2016

a4b386613794e4c7cd10e5b37246fd64_L
Militar conta que no início da missão, além de enfrentar a distância da família, teve que se adaptar às diversidades da cultura e aos costumes. Acervo pessoal

O capitão da Polícia Militar de Alagoas, Diego Canuto, vem se destacando na Missão de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Atuando desde setembro de 2015, o oficial coordena a equipe de Polícia Comunitária composta por 15 pessoas no Sudão do Sul, país localizado no nordeste da África, seguindo as diretrizes que norteiam a filosofia baseada na aproximação entre polícia e comunidade.

 

Para desempenhar a função, o capitão Diego Canuto, único policial brasileiro na missão, precisou estabelecer dedicação integral com a comunidade de dois campos de proteção de civis, onde vivem cerca de 40 mil pessoas. Ele e sua equipe atuam na avaliação, identificação e busca de soluções para as dificuldades enfrentadas, em parceria com ONGs, lideranças da região e os próprios residentes.

 

“O objetivo principal da missão é a proteção das pessoas, observando a aplicação dos princípios dos direitos humanos, criando um ambiente seguro para a chegada da ajuda humanitária, uma vez que a pobreza é extrema na região”, explica o oficial.

 

O militar conta ainda que no início da missão, além de enfrentar a distância da família, passou por um processo de adaptação à diversidade da cultura e aos costumes, no entanto a convivência passou de um desafio para uma grande experiência.

 

“Viver esta missão possibilita todos os dias adquirir novas formas de lidar com decisões tanto no ambiente profissional quanto pessoal. A adaptação à língua local também é um desafio, mas perceber que estamos ajudando as pessoas a superarem suas dificuldades é extremamente compensador, sobretudo quando vemos a alegria no rosto de cada criança que vive aqui. Certamente, ninguém retorna o mesmo de uma experiência como esta”, reflete o policial alagoano que se diz orgulhoso em representar seu país e sua corporação.

 

0425PM_MISSAO_ONU1

Com duração de um ano, a missão do capitão Diego Canuto está prevista para ser encerrada em setembro de 2016.

 

Seleção e treinamento para as Missões de Paz

 

A participação da Missão de Paz da ONU tem caráter voluntário e uma seleção rigorosa é feita pelo Comando de Operações Terrestres – COTER do Exército Brasileiro.

 

Os candidatos são avaliados em testes de idioma (inglês ou francês), dividido em três fases; informática, com exercícios também nos referidos idiomas; condução de veículo militar, em duas etapas e manejo e tiro com armas curtas, em mais três etapas.

 

Após selecionados e designados para o local de Missão de Paz, inicialmente, é realizado um treinamento padrão com os voluntários voltado à orientação e conscientização sobre a realidade do país em que estes irão atuar. Em um período de cerca de uma semana, os agentes estudam a cultura, tradições, costumes, cuidados, doenças comuns, prevenção, além das diretrizes dos princípios da ONU, direitos humanos e natureza da missão.

 

0425PM_MISSAO_ONU

 

Após o treinamento inicial, é realizado outro estudo mais direcionado ao serviço que os voluntários irão desempenhar, já no local específico do país para o qual foram designados. Realizados todos os treinamentos preparatórios, o agente se torna habilitado a iniciar a missão.

 

 Novos policiais alagoanos selecionados

 

Mais quatro policiais militares alagoanos estão selecionados para iniciar a próxima Missão de Paz. Aprovados em todas as etapas, o tenente-coronel Rhonady Oliveira e os tenentes Rodolfo Esperidião, Everton Estevan e Joselito Silva se preparam para desembarcar no exterior a partir do próximo mês de setembro.

 

Atualmente, além do Sudão do Sul, existem Missões de Paz no Haiti, localizado no Caribe e no território de Kosovo, sudeste europeu. No entanto, há perspectiva para receber as missões o Afeganistão, Chipre, Líbano e a Síria.

Marília Morais – Agência Alagoas